Diversidade na Forma de Apresentao das Entidades de Umbanda
Exu - Aspectos Poliédricos
Lideranças participantes:
Pai Roberto Ferreira da Silva- Templo de Umbanda Pai Oxalá e Baiano Sete Porteiras (Jundaí –SP)
Pai Cássio Ribeiro – FUCABRAD Fundao de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Diadema – Tenda de Umbanda Caboclo Ubirajara e Exu Ventania
Pai Rivas: Diretor Geral da Faculdade de Teologia Umbandista
Mãe Ana Glória – Tenda Espiritualista Caminho da Luz Divina
Mãe Márcia Pinho: Diretora do CONUB/Pres. Da Federao de Umbanda Ycaraí
Data do evento 01/junho/2005 Local Salão Nobre da Faculdade de Teologia Umbandista
Resumo do Locutório
A FTU promotora dos locutórios pretende aproximar o saber acadêmico do saber religioso visando o diálogo e revisão recíproca. Assim nos valemos neste 5o. Locutório de aspectos antropológicos dialogando com os da prática religiosa de Umbanda.
Para fazer-se tal diálogo precisamos evocar a formação do povo brasileiro, o qual surgiu da confluência, entrechoque e caldeamento de três matrizes formadoras: português conquistador, silvícolas brasileiros e negros africanos. Desse caldeamento surgiu a etnia brasileira diferente culturalmente de suas matrizes formadoras.
O que melhor caracteriza esse caldeamento étnico-cultural é o surgimento do mestiço, que não é negro, não é branco, não é índio, é brasileiro.
No Brasil há uma macroetnia, mas que é una (uni-etnia), visto ser o Brasil um país continente (território), onde várias etnias ao invés de conflitar se fundiram, e dessa fusão ou miscigenação surgiu a etnia brasileira. Creditamos essa unidade aos bons auspícios proporcionados pela Umbanda.
A Umbanda em sua atuação imita a etnia brasileira. Mesmo tendo traços ou elementos culturais de suas matrizes formadoras, é essencialmente brasileira. A Umbanda, assim como o próprio planeta em sua valoração espiritual, está em construção, portanto não dogmática, afinizada com a modernidade, tendo interação com a Ciência, Filosofia e Artes, sendo Ela mesma (a Umbanda) exemplo de avanço e modernidade religiosa. Como afirmou Pai Rivas “não temos a áltima resposta, pois não temos a áltima pergunta”.
Do explanado conclui-se que essa característica de Umbanda – uma unidade aberta – é a explicação para a grande diversidade na forma de pensar e praticá-la. O mesmo ocorre com a diversidade da manifestação de suas entidades guias ou protetores espirituais, que se apresentam de acordo com as necessidades de cada grupo, todavia são comuns a presença de Crianças, Caboclos, Preto-Velhos, Baianos, Marinheiros, Boiadeiros, Orientais, Ciganos e Exus.
A atividade ou função dessas entidades será discutida nos próximos locutórios; a exceção feita a Exu, deve-se aos motivos que todos sabem (devido às constantes críticas e ataques que a coletividade umbandista vem sofrendo).
Resumindo, isso demandará uma grande discussão, onde toda a coletividade umbandista deverá ser chamada a se pronunciar. Destaquemos as seguintes indagações feitas sobre a questão:
Quem ataca, critica de forma contundente e desrespeitosa a Exu, seria só por discordar de seus métodos de trabalhos (na verdade os de Umbanda) ou por outros motivos? Quais seriam os outros motivos? Não seriam as elites oligárquicas interessadas em manter o status quo, isto é, manter o povo brasileiro na miséria e ignorância? Não será por que Exu sempre rompe com os padrões de hipocrisia estabelecidos pela sociedade? Não seria por isso que o chamam de demônio (ele é de esquerda)? Não seria o contrário, pois Exu que combate o demônio das desigualdades, das iniqüidades e injustiças várias e mais, por ele reunir as massas sofridas e desesperadas dando-lhes norte e esperança real de mudanças? Precisamos pensar, e muito, o porquê dos defensores da religião da prosperidade se posicionarem contra a Umbanda – a Teologia da Felicidade com responsabilidade. Não seria por que Exu, sendo de esquerda (socialista), é contrário à manutenção da miséria imposta por uma minoria a uma maioria de desesperançados? Será por essa atitude que o denominam de demônio? São perguntas que devemos responder, e os locutórios tem essa pretensão – a de fazer nossa coletividade ativa, cônscia dessa situação.