Diálogo Intra-Religioso

Título: Diversidade Ritualística de Umbanda

Causas e conseqüências da expansão neopentecostal Sinais da espiritualidade superior- Aspectos desencadeantes: espiritual, cultural, social, político e econômico - Análises: acadêmica (sócio-antropológica) e teológica (teologia da Felicidade) - Reversão do processo = atuação séria e compromissada da Umbanda com o individual e, principalmente, com o coletivo ou a sociedade - Outros aspectos: filodóxicos e filosóficos


Lideranças participantes:
F. Rivas Neto - Pai Rivas
Professor Coordenador das Disciplinas Sociologia e Teologia - Umbandista da FTU - Faculdade de Teologia Umbandista
Márcia Pinho P.F. de Andrade - Mãe Márcia - Diretora-Secretária do CONUB
Roger T. Soares - Pai Soares - Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino / FTU - Faculdade de Teologia Umbandista
Alexandre Falasco - Pai Alexandre - Barracão Pai José de Aruanda (Jundiaí - SP)
Bruno Fábio Brescancini - Pai Bruno - Tenda Cosme e Damião (Jundiaí - SP)

Data do evento
29/junho/2005
Local
Salão Nobre da Faculdade de Teologia Umbandista

Resumo do Locutório

•  A FTU ao formalizar o saber religioso, abre o canal de comunicação com a sociedade incluindo as matérias acadêmicas, permitindo o questionamento e revisão recíprocos.

•  Ressaltamos que a FTU surgiu devido a:

•  Conquistar um status de cidadania a todos os umbandistas, adquirindo o reconhecimento da sociedade a esse segmento.

•  Atuar na sociedade como uma instituição que gera conhecimento no sentido de uma cultura de paz, amplamente includente e universalista, com propostas espirituais, culturais, sociais, políticas e econômicas compatíveis com as necessidades brasileiras e globais.

•  No aspecto educacional:

C.1. Manter ensino de ótima qualidade (o que esta sendo feito)

C.2. Manter pesquisa de ponta (está a publicar trabalhos acadêmicos)

C.3. Manter bom relacionamento com a comunidade Umbandista, com a sociedade em geral (os locutórios intra-religiosos, projeto N'Goma, Projeto de Responsabilidade Social, “Anomia Cultural” e “Ponto Convergência” TV Comunitária)

C.4. A FTU tem proporcionado o encurtamento da distância entre privilegiados e marginalizados (a Umbanda oscilando entre o centro e a periferia, visando a extinção das desigualdades).

•  O Brasil e a Umbanda se confundem; ambos tem estigma de universalidade, consolidada na democrática diversidade cultural, que na Umbanda se expressa nas várias Escolas ou Segmentos, que são formas de pensar e praticar a Umbanda.

É a unidade umbandista construída não sobre a unanimidade que suprime a diversidade democrática, mas sob o manto da Convivência Pacífica e Respeito com as Diferenças. Temos diferenças, mas possuímos muitas semelhanças, às quais nos unem. Desconhecer tal peculiaridade de Umbanda é estar contra Ela, ou querer subvertê-La.

•  À Religião compete não somente os patrimônios da fé, esperança e consolação, mas os de remir e reunir o homem consigo mesmo (pontual), com seus iguais, outros homens (horizontal) e com o Sagrado (vertical), neutralizando ou atenuando o terror diante da finitude da vida, e, principalmente, a miséria interna e externa, as desigualdades e injustiças sociais e de todos os âmbitos.

•  Após esses itens introdutórios, explicou-se a formação do povo brasileiro (Miscigenação – Macroetnia - Uni-etnia, segundo Darcy Ribeiro) como o caldeamento de três etnias diversas, tal qual a do português conquistador, indígena brasileiro e negro africano. Esse caldeamento formou a etnia brasileira, diferente culturalmente de suas matrizes formadoras, sendo que a cultura miscigenada (com elementos culturais das etnias formadoras) é o que melhor a caracteriza (o Mestiço-Raça Universal).

•  Discutiu-se os elementos formadores da Religião, sob a ótica sócio-antropológica:

•  Crenças ou representação do mundo dão sentido à existência Þ aspecto racional da Religião.

•  Manifestação ou expressão da Religião (cultos, ritos, liturgias) ® aspecto afetivo da Religião.

•  Ética ou orientação dos comportamentos individuais ou sociais Þ aspecto comportamental da Religião.

7. O tema principal versou sobre as causas do avanço dos neopentecostais, explicou-se sucintamente sua origem. Remontou-se aos pentecostais, como corrente do protestantismo surgida nos EUA em 1901, como reação à falta de fervor evangélico entre os metodistas. Os pentecostais acreditam nos dons do Espírito Santo, como glossolalia (falar línguas desconhecidas), cura e profecia. Seus cultos são caracterizados por expressões de êxtase e forte emoção.

São seus representantes as seguintes igrejas:

Assembléia de Deus; Congregação Cristã no Brasil; Evangelho Quadrangular e o Brasil para Cristo. Muitos deles se opõem às atitudes dos neopentecostais em relação à Umbanda.

•  O neopentecostalismo, movimento surgido na década de 70 do século XX, dá maior ênfase aos rituais de exorcismo e cura, propugnam a Teologia da Prosperidade.

•  Os neopentecostais estão representados pelas: Igreja Universal do Reino de Deus (fundada em 1977); Igreja Internacional da Graça de Deus (fundada em 1980); Renascer em Cristo (fundada em 1986); Deus é Amor e Comunidade Evangélica Sara nossa Terra.

•  Os problemas tiveram início quando os neopentecostais atacaram a Umbanda, como se Ela fosse a própria manifestação do “demônio”. Com isso desencadearam o processo de “demonização”, o qual precisaria ser “exorcizado”. O que se lamenta, é que “atacaram” as camadas mais sofridas da tão desigual sociedade brasileira (suas “classes” C, D e E), que hipoteticamente encontrariam fim aos seus males (miséria, que como é óbvio, não acabou).

A partir daí todas as camadas da sociedade foram ou tornaram-se alvos do marketing neopentecostal.

•  Segundo alguns antropólogos, que possuem uma visão otimista sobre a questão racial no Brasil, afirmam que as igrejas neopentecostais têm um papel modernizante, com imposição de regras universais, enquanto que os cultos afro-brasileiros seria particularista.

•  Segundo Prandi, a Umbanda é uma Religião mais popular e menos africana. A Umbanda é sincrética, (felizmente) tornou-se uma religião de todos, um encontro entre ricos e pobres, negros, índios, brancos e mestiços (realmente!)

Continua, afirmando que para a Umbanda voltar a crescer é necessário recuperar a tradição africana. Recobrar segredos é imperativo para retomar o grande poder mágico da Religião.

•  Perguntou-se: mas que segredos são esses, se ele Prandi afirmou na história de Quasalid, “o segredo dos segredos é que não existem segredos”

•  Discutiu-se as causas do avanço e migração de “umbandistas” para os neopentecostais, sendo feito os seguintes questionamentos:

•  Não terá sido porque o país mudou, e muitos brasileiros se cansaram de viver assombrados pelo poder do feitiço, da magia? (Tal qual se pronunciou uma professora de história da UFRJ)

•  Não será esse um sinal da Espiritualidade Superior para que venhamos a revisitar nossos relacionamentos interno e externo? (entre os Umbandistas e a sociedade como um todo)

•  Não estaria aí o nó-górdio, para definitivamente desatarmos as amarras da intolerância e procurarmos o mais rápido possível a união dos Umbandistas, que passa muito distante da codificação?

•  O que estaríamos esperando? Já não retardamos demais as discussões que nos norteiam para a Unidade Umbandista, que insistimos, não é codificação? União é respeitar a forma de entender e praticar a Umbanda, deixando de criticar ou apontar como certo ou errado este ou aquele segmento.

Se aceitamos que somos umbandistas, que nos unimos na Umbanda, porque querer que todos façam um mesmo modelo de rito? Já chegou o momento da não-critica, pois a mesma é incoerente; lembrando a todos, que culturas não se discutem, se são melhores ou piores, mas que apenas são diferentes. Não deveríamos tomar isso como exemplo? Temos várias formas de práticas umbandistas, sendo que uma não é melhor que outra , simplesmente são diferentes . Precisamos exercitar o respeito com as diferenças e aí teremos vencido todo e qualquer preconceito, e seguiremos os destinos tão sabiamente traçados pelos nossos Orixás. A questão está em aberto, aliás, como tudo em Umbanda. Como não temos a última pergunta, não podemos ter a última resposta; temos sim, uma Umbanda em constante construção, mas que urgentemente pede união.

Umbandistas, unidos seremos mais fortes e não seremos perseguidos.

 

 


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