Data do evento 16/maio/2007 Local Salão Nobre da Faculdade de Teologia Umbandista
Título: IDENTIDADE UMBANDISTA
A Umbanda é essencilamente inclusiva, portanto isenta de preconceitos, dogmas. Não é só religião. É Filosofia. É ciência. É Arte. É amor e sabedoria cósmicos. As matrizes formadoras ou os aspectos míticos e místicos de Umbanda se amoldam ao imaginário do povo brasileiro, do povo planetário, sendo pois universal (ethos planetário). Embora o lema principal seja a tolerância e o respeito com os demais setores filosoficorreligiosos, a Umbanda é contrária a uma identidade rígida, exclusiva, pois isto exalta as diferenças. A Umbanda valoriza as semelhanças, sendo contrária as desigualdades em todos os âmbitos, pois a mesma remete a: forte e fraco (fator político), rico e pobre (fator econômico), sábio e ignorante ( fator ideológico). A identidade umbandista tem como principal característica principal a inclusão (pontos de contato que eliminam, as desigualdades) espiritual, social, cultural, política e econômica. Reiteramos, que a diversidade umbandista não é falta de identidade, é sim a construção de alicerces formadores da universalidade, próprios de sua inegualável unidade aberta.
Obs.: Inclusão é não á exclusão; não à invisibilidade sócio-cultural; é ponto de contato com todos seus segmentos ou escolas; é o ponto de contato com outras religiões, filosofias, ciências e artes.
PARTICIPANTES DA MESA:
Professor Coordenador das Disciplinas Sociologia, Rito Liturgia e Fund. de Teologia Nome Completo: F. Rivas Neto Nome Sacerdotal: Pai Rivas Templo a que Pertence: Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino
Nome Completo: Monica Varella Nome Sacerdotal: Mãe Monica Varela Templo a que Pertence: FEUCAMT
Nome Completo: Márcia Pinho P.F.Andrade Nome Sacerdotal: MãeMárcia Pinho de Yemanjá Templo a que Pertence: Federação Espírita Ycaraí
Nome Completo: Evanir Aparecida Rodrigues Honorato Nome Sacerdotal: Mãe Iberecy Templo a que Pertence: T. U. e Cand. Mamãe Oxum
Nome Completo: Domingos Forchezatto Nome Sacerdotal: Pai Domingos Templo a que Pertence: Associação Espiritual de Umbanda Pai Tajobin
Nome Completo: Valdinês Débora Silva Martins Nome Sacerdotal: Mãe Valdinês Templo a que Pertence: Centro de Umbanda Pai Joaquim d'Aruanda
Nome Completo: Ednilson Martins Nome Sacerdotal: Pai Deni Templo a que Pertence: Centro de Umbanda Pai Joaquim d'Aruanda
Nome Completo: Cosme aparecido Feit Nome Sacerdotal: Cosme d'Obaluayê Templo a que Pertence: Ilê Axé Apolo Bessen
RESUMO DO LOCUTÓRIO
1.A premissa básica do locutório
“A Umbanda é uma idéia que se manifesta em várias linguagens (várias maneiras de apreendê-la e praticá-la) e todas as linguagens devem ser respeitadas por representarem um caminho legítimo para tratar os anseios espirituais de seus seguidores. Portanto, essencialmente inclusiva, contrária ás desigualdades, sendo esta a característica principal da identidade umbandista” (Pai Rivas).
1. A premissa básica do locutório
“A Umbanda é uma idéia que se manifesta em várias linguagens (várias maneiras de apreendê-la e praticá-la) e todas as linguagens devem ser respeitadas por representarem um caminho legítimo para tratar os anseios espirituais de seus seguidores. Portanto, essencialmente inclusiva, contrária ás desigualdades, sendo esta a característica principal da identidade umbandista” (Pai Rivas).
2. A identidade umbandista não pode ter como sinonímia o vocábulo idêntico, pois a Umbanda preconiza o respeito incondicional á diversidade, á pluralidade defendida pelos vários segmentos ou escolas umbandistas. A Umbanda legitima todas as escolas, afirmando que todos tem a mesma importância. Portanto, é contrária a codificação (um segmento ou escola querer impor aos demais sua doutrina e prática como única e melhor) mas favorável à união umbandista, calcada nos principais fundamentos que são comuns.
3. A Umbanda é uma só. Mantem sua identidade por intermédio de suas manifestações que são um bloco multifacetado (pluralidade, diversidade), expressão dos vários ângulos de interpretação de uma mesma verdade, que admite vários níveis de realidade. Se admite vários níveis de realidade, nenhuma das escolas vivente pode tomar para si o direito de afirmar-se única e exclusiva, descartando as demais, o que é contrário à identidade umbandista.
4. A identidade umbandista é um conjunto de caracteres próprios, mas inclusivos, inerente ao interior do indivíduo, não apenas ao exterior (a idéia predomina sobre as linguagens; a essência sobre a forma). A palavra chave da identidade umbandista é inclusão (contrária á exclusão e a não visibilidade em todos os âmbitos), portanto sem fronteiras rígidas, sem “tribalização” ou “etnocentrismo”. É inadmissível por dentro da Umbanda, em seus segmentos o etnocentrismo (“o meu segmento ou escola é melhor que os demais”) que deve ser neutralizado na paz e na concórdia. Além de promover pontos de contato entre todos segmentos de Umbanda,promove igualmente com outras religiões, com a ciência, filosofia e artes, ou melhor, com o espiritual, social, cultural, político e econômico.
5. É contrária à Codificação (proposta por alguns escritores) pois seria exclusivista, contrária à premissa magna de Umbanda ( inclusiva e contrária ás desigualdades). A razão de ser dos fundamentos de Umbanda é a inclusão, sendo esta sua finalidades última (Convergência). Na diversidade de ritos (característica umbandista) a Umbanda é essencialmente abrangente, flexivel, tolerando as diferenças, sendo contrária ás desigualdades . Portanto, não se solidariza com setor que afirma ser “sua Umbanda” a melhor, a única Divina ou Sacra, sendo as demais profanas. É abominável tal atitude fundamentalista, em total oposição aos verdadeiros princípios de Umbanda que são: Pureza, simplicidade e humildade que mais vez remete á reunião com todos. Todos setores umbandistas são sagrados, sendo extemporâneo afirmar-se que apenas um setor o seja em detrimento de todos os demais, pois isto caracteriza a intenção de codificar a Umbanda, estabelecendo uma cultura de fanatismo e discórdias.
6. A Umbanda é contrária à codificação, por ser contrária à sua identidade. A Umbanda não rivaliza com outras religiões, procura universalizar-se, promove vários locutórios, simpósios, seminários ou congressos intra-religiosos, inter-religiosos, interdisciplinares e transdisciplinares. Na busca constante da paz religiosa, demonstra ser o caminho para a Paz Mundial consolidada na convergência de saberes. Os palestrantes convidados reiteraram várias vezes que esta característica da Umbanda é exemplificada na teoria (academia) e prática (ritos universais onde não é privilegiado nenhum segmento de Umbanda. Todos estão presentes) pela FTU (educando para uma cultura de paz – defende que a Umbanda é uma só, é uma unidade aberta, não sendo ortodoxa ou dogmática). Afirma que a Umbanda não tem a última resposta por não ter a última pergunta (modernidade na maneira de perceber a Umbanda como uma unidade aberta).
7. A identidade umbandista, que, reiteramos ser contrária á exclusão, á exclusividade, é calcada no respeito com as diferenças, não apenas de culto, principalmente com as formas de cada um ser , de celebrar a universalidade do sagrado. Na Umbanda não há determinismo, não há tudo construído. A indeterminação não é alheamento, alienação, mas uma forma natural de evolução. Há sim consonância nos elementos semelhantes , que mantem a identidade umbandista, a qual tem nas diferenças, a constante renovação.
P.S. O presente locutório não pretendeu esgotar o assunto, não sendo pois, a última palavra, embora reconheça um bom início.
Abordou-se os fatores internos, mais agudos e essenciais, deixando para próximo locutório os aspectos externos de Umbanda, pois muitos crêem que a identidade umbandista deve ser calcada na homogeneidade rito-litúrgica. Embora respeitemos quem assim pensa, somos pela heterogeneidade (unidade aberta), característica própria de cada segmento que deve ser acatado e não discutido (desde que o mesmo não queira codificar a Umbanda, achando-se melhor que os outros ). Assim confirmamos a interdependência entre todos os setores ou escolas umbandistas. Firmamos que o todo (Umbanda) não deve ser confundido com as partes (manifestações ou setores). A Umbanda está nas partes (identidade), mas as partes de per si não a representam.
UMBANDA ►UNIDADE ABERTA ►NÃO É DEFINITIVA ►CONTRÁRIA AO DOGMATISMO
A Umbanda está em todos os segmentos ou Escolas. A Umbanda ► através de vários segmentos. A Umbanda acima de qualquer segmento isolado.
Está ► respeito incondicional às diferenças, à diversidade Através ► legitima todos os segmentos Acima ► de qualquer segmento tomado de forma isolada.
Todos os segmentos mesmo sendo diferentes entre si, pertencem á unidade – Umbanda (não há supremacia de um em relação a outro; os segmentos não devem emular entre si, o que é inadmissível).
Os segmentos individuais (de per si) não representam a Umbanda, em nenhuma oportunidade, seja ela espiritual, social, cultural, política ou econômica.
Igualmente, a soma de todos os segmentos umbandistas não a representam, pois na unidade encontra-se uma teia de ligações, maior e acima da simples soma das partes (segmentos).
Encerrando, queremos agradecer aos irmãos umbandistas pelo comparecimento e colaboração imprescindíveis . Também, reiteramos que a identidade umbandista esta colocada em duas palavras: Sagrado e Apolitismo.
O Sagrado é a espiritualidade inerente a todos, basta querê-la, expresso por intermédio da ética umbandista a qual define a interdependência entre todos, a caridade incondicional, como forma de inclusão universal. Apolitismo seria melhor dito apartidarismo, pois a Umbanda busca um elo, uma ponte que auxile a política e nunca o contrário, como muitos tem apregoado. Em relação á política a Umbanda precisa de independência e austeridade ética, não se dando a partidos, algo que enfraquce suas funções ético-teológica. Não podemos fazer política pensando em marketing religioso ou da fé, pois a Umbanda em sua ação de captação de fiéis (proselitismo) tem seus métodos proprios, não contrários ao bem, ao justo, á caridade e a inclusão. Estes em conjunto são o maior chamamento, marca de excelência de Umbanda.
Saravá!
São Paulo, 16 de maio de 2007.
Locutório realizado na Faculdade de Teologia Umbandista.